sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Nos Varais da Vida



[I]

Nos varais

Nos varais o ardente dos verões
Carros passam no asfalto emanando calor
Pobres pés descalços vão estender roupas
Loucos com seus vieses, variações e viagens.

Varais com varas de bambu... apoiam-se...
Chegam a confundir os olhos ligeiros
Quem estaria apoiando quem?

Varais das Valérias e Veras
De coloridos poéticos
Eternidades efêmeras
Momentâneos de eras.

Nos varais frígidos dos invernos
Casacos acenam com o vento
Na corda bamba do tempo
Nos confins dessa esfera.

[II]

Pendura e perdura

Verás os varais pelo planeta a fora
Alguns dependuram difusas histórias
Toalhas sujas, lençóis manchados
Burcas, fardas, camisolas...

Verás secarem farrapos
Roupas de seda e algodão egípcio
Algumas despontam sacrifícios
Pintam os adornos nubentes.

Verás os varais internos
Que penduram o ódio retido
Enxuto, infecundo, rachado...
Como as rugas do envelhecimento.

Também verás os que penduram amores...
De diversos calibres e cores
Sem importância do enxuto ou ensopado
Vale o corpo que aqueceu algum dia.

André Anlub