sábado, 13 de outubro de 2012

mariscadores da ria de aveiro

(palavras para mais um trabalho divinal de Jorge Bacelar)

duvida
é natural que o sintas
o real começa a deixar de o ser
a beleza é sublime demais
estranho
muito estranho
estranhamento belo

tão estranho
quanto real
tão belo
quanto duro
tão feérico
como viver da ria

é uma existência não existente
uma estranha forma de ser
ave e lavrar a lama
nisto se fazendo gente
pairar sobre as águas
será sonho
mas quem pode evitar
o sonho de voar?

fica na dúvida
guarda-me a teu lado
um lugar
fiquemos assim ambos
sentados sem saber se
é o real que estamos a olhar