quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Primeiro contato

Oi gente, sou Carmem Maria Bastos e hoje omeço efetivamente a escrever na Tribuna, a culpa é de Chronos rs.
Bem, gostaria de agradecer imensamente a Manoel Hélio pelo convite e espero levar este projeto a frente. O mundo da literaturaé muito bonito e trabalhoso.
Recentemente lancei meu primeiro livro, No limite do verso e desde então, tenho reebido e-mails diversificados, dentre eles algumas perguntas sobre inspiração, publicação e como começar a escrever então, neste iníccio vou me aventurar nestes rumos. Hoje vou postar um pouco sobre  inspiração e leitura. Espero que gostem.
Aabei de criar meu blog, http://carmemmariabastos.blogspot.com/,se poderem visitem e deixem um oi.
Beijos.


Curiosidades

Muita gente anda me perguntando de onde tiro inspiração, como faço para escrever ou o que leio. Acho que tais curiosidades são muito pertinentes, eu também sinto curiosidades sobre os autores que admiro.

A respeito da inspiração, acredito que ela está solta em todos os lugares e que quando estamos mais sensíveis ela nos capta e nos enche de entusiasmo. Quanto a leitura, leio de tudo de best-seller aos clássicos, depente do dia ou do que eu tenha que fazer. Assim como a escrita acho que a leitura tem que ser prazerosa para podermos aproveitar ao maximo. Por conta das curiosidades, posto aqui 2 poemas que para mim, são belíssimos exemplos da poesia brasileira contemporânea. Sempre retorno para esses poemas os considero meus poemas de cabeceira. São eles: A luta antes da luta de Alberto Pucheu e Alguns versos de Antonio Cicero.

A LUTA ANTES DA LUTA

Você sabe, de nada adianta rezar no canto do ringue.
Aquele que nele sobe, sobe sozinho.
As bravatas lançadas na hora da pesagem
e o peso da multidão colado em sua carne,
você sabe, lá em cima, só aumentarão seu abandono.
Você sabe também o preço que terá de pagar
se deixar que qualquer vagabundo desfigure
sua fisionomia. Mas é isso que você quer?
Não é isso que você quer. Aconteça
o que acontecer, não jogarei a toalha, não é para isso
que chegamos até aqui... Você ainda é muito novo
para perder, e sua família, muito necessitada. Você sabe,
você tem de deixar seu passado para trás, eu sei que você
não quer voltar para as ruas, para o crime, para a cadeia...
Portanto, quando subir lá em cima, eu lhe digo,
não deixe que o adversário veja medo em sua face:
se, ainda antes do primeiro soar do gongo, ele
vislumbrar uma mínima expressão de temor em seu rosto,
conhecerá o caminho mais rápido
para encontrá-lo durante o combate. Mas você
não terá nenhum instante de fraqueza nesse combate,
você está preparado, eu sei que você está preparado,
e você também sabe disso. Ninguém quer acordar amanhã
num quarto de hospital... você quer acordar
num quarto de hospital balbuciando palavras desconexas?
Ein? Você quer acordar num quarto de hospital,
com sua mulher chorando preocupada ao lado da cama?
Não, você não quer isso pra você nem pra sua família,
nem eu quero isso para o meu garoto de ouro. Por isso,
treinamos duro, por isso, treinamos tanto. Então, vá lá
em cima, já estão anunciando seu nome, suba
para o quadrado, suba, já começaram a tocar a música,
vá para o ringue e, no meio do entrevero,
por entre as saraivadas de golpes,
faça seu adversário sentir o peso do esquecimento
carregando-o para longe do estádio, carregando-o
para longe de todo e qualquer lugar.

De: PUCHEU, Alberto. A fronteira desguarnecida (poesia reunida 1993-2007). Rio de Janeiro:
Azougue Editorial, 2007, p.236.


ALGUNS VERSOS

As letras brancas de alguns versos me espreitam,

em pé, do fundo azul de uma tela atrás

da qual luz natural adentra a janela

por onde ao levantar quase nada o olhar

vejo o sol aberto amarelar as folhas

da acácia em alvoroço: Marcelo está

para chegar. E de repente, de fora

do presente, pareço apenas lembrar

disso tudo como de algo que não há de

retornar jamais e em lágrimas exulto

de sentir falta justamente da tarde

que me banha e escorre rumo ao mar sem margens

de cujo fundo veio para ser mundo

e se acendeu feito um fósforo, e é tarde.


De CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 17