domingo, 6 de janeiro de 2013

SOU MACUMBEIRO SIM SENHOR! - Por Pai Carlos D'Ogum (Carlos Pavão)


Muitos umbandistas se sentem mal em serem chamados de macumbeiros, acatam a palavra como ofensa. E leigos, pessoas que desconhecem as religiosidades afro-brasileiras, usam a palavra ''macumbeiro'' para ofenderem seu próximo, pensando que estão utilizando de um insulto, isto mostra apenas a falta de fonte e pesquisa de ambos os lados, me refiro aos dois lados, porque se o umbandista não se sentisse ofendido, não daria margem para o mau entendimento do pré-conceituoso. Eu sou macumbeiro! Por que sou macumbeiro? Simplesmente porque a origem da palavra indica o que faço! Macumba não é instrumento, macumba não são despachos, macumba não é religião!
A origem da palavra ''macumba'' vem da região Banto (Congo-Angola), especificamente dos vocabulários Kikongo e Kimbundu, onde esta palavra se escreve ''Makuba'' e se pronuncia ''Makumba'', a tradução desta palavra para o português a grosso modo é ''Reza'' no sentido de invocação, ou seja, referi-se como macumba a invocação espiritual através de algum tipo de reza.
A região Banto (Congo-Angola) sempre foi muito rica e diversificada nas questões de cultos espirituais, portanto, existia um culto praticado pelos negros denominados Kasanji e pelos próprios Kimbundus (Quimbundos) na África que era feito em encruzilhadas, onde no centro dela deixavam oferendas aos espíritos e no canto da encruzilhada os negros tocavam seus atabaques e rezavam invocando espíritos para receberem suas oferendas, e no período de três dias zelavam das oferendas e as retiravam, popularmente este culto era chamado de ''Makuba'', ou seja, ''Macumba'' conforme sua pronuncia, pois ali, invocavam espíritos na base da reza (''Makuba''), desta forma ao chegar este costume no Brasil, também chegou com ele a palavra ''Macumba'' que daí em diante se popularizou e passaram a chamar todos que faziam oferendas, tocavam seus atabaques e praticavam os cultos afro-brasileiros de ''macumbeiros''.
Engraçado, ninguém chama os praticantes do catolicismo ou evangelismo de macumbeiros (?), poderiam, porque diante uma missa, um culto evangélico, ao ascenderem uma vela, ao pedirem aos Santos, ao invocarem por Jesus Cristo ou ao rezarem um Pai Nosso, estes estão fazendo macumba, pois estão rezando para invocarem a presença daqueles que chamam. O mais cômico, é que o preconceito que a cada dia é provado que advém das faltas de cultura e inteligência persegue até o vocabulário, e ainda o usa contra ele mesmo.

Pois bem, eu como umbandista faço minhas oferendas dentro do que me é permitido à legislação de nosso país e as leis da espiritualidade, e ao fazê-las estou realizando minha macumba (estou rezando), quando toco meu atabaque no terreiro ou canto um ponto também faço minha macumba, quando afirmo minha cabeça para me conectar com um guia espiritual faço minha macumba, quando pulo as ondas no final do ano a Yemanjá também faço minha macumba e quando ascendo uma vela faço minha macumba, portanto, sou macumbeiro sim senhor!

Carlos Pavão