quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

haja janelas


não partas antes de mim


os moliceiros têm vela (18)


haja janelas


falo agora de um tempo cansado
curvado ao peso dos dias
o meu tempo
eu

é duro neste tempo onde o meu por dentro
olhar e ver
sentir
ser irmão do irmão
e irmão de ainda mais

solidão não é estar só
é estar mal acompanhado

falo de mim e digo
amanhã serei o mesmo
doa o que doer
a quem doer

haja janelas

(murtosa; regata do bico; 2007)

https://ahcravo.wordpress.com/2014/12/24/os-moliceiros-tem-vela-18/