segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

dias de raiva


nem delas mortalhas, que tal não merecem

os moliceiros têm vela (66)


da terra e das gentes


amortalhados serão os sonhos
na brancura de nada mais haver
que a memória

falarão dos dias havidos como se
tivesse de ser assim destino
fado português

ficam vozes perdidas no azul
aves de asas cortadas
um canto triste

tudo o que foi não será mais

não haver gente nesta terra
é ter ela o tamanho do seu
cemitério

que não descansem em paz

(torreira; regata da ria; 2014)

https://ahcravo.wordpress.com/2015/02/16/os-moliceiros-tem-vela-66/