sexta-feira, 10 de abril de 2015

Não sei dançar 2

Não sei dançar 2

Uns tomam etér, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
EU N’OUTRO CAM!NHO
M’ENTORPEÇO A BEBER V!NHO
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probalidades é uma pilhéria...
REBA!XO A G!R!A DESBANAL!ZO O AUTO CALAO
NAO TENHO SACO P/ LER HE!DEGGER ALEMAO
.

Sim, já perdi, pai, mãe, irmãos.
PERD!-ME NA V!DA , ENCONTRE!-ME VAR!AS VEZES COM A PORTE
POR LOUCURA OU POR SORTE NAO TORNE! 1 CADAVER!CO BLUES...

Uns tomam etér, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
NESTA TERÇA DO V!N!L TOMO SOL V!NHO
ENQUANTOUTROS TRANCENDEM NO DA!ME CHA
.
ME FALARAM D!AS DESSES  DO CAUSO D’UM BORRACHE!RO
NUMA FESTA D’!NTER!OR Q T!VERA O DESPRAZER DE VER
SUA MULHER  DANÇAR COM O MAR!DO DA EX-PREFE!TA
Y Q POR T!M!DEZ BURRA  NAO RE!V!ND!CARA DANÇAR
COM A EX-AUTOR!DADE...
CONFESSO Q NAO SE! + O Q S!GN!F!CA SER  POVO?
GENTE HUM!LDE COMO CANTARA  O CH!CO?
Q TAMBEM TA DE COSTA P/ FAVELA FE!TO
TAL CR!STO REDENTOR  !N SURBUB!O
.
ESSE PA!S NAO E SER!O
JA FOMOS O QU!NTO DOS !NFERNOS
HJ PA!S DA P!ADA PRONTA
DANÇAMOS FUA NA CASA DE CABRAL...

De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figua de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!

A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!

EU D’OUTRO LADO NAO M’ESQUEÇO DESSA POL!T!CARD!A
DAS MENT!RAS LEVYANAS NAS PROGRAMADAS REELE!ÇOES
DE COMO AQUELES DO GOLPE MALD!TO
DESTRU!RAM COM NOSSA EDUCAÇAO
DE COMO NOSSAS CR!ANÇAS ESTAO PROGRAMADAS
P/ SEREMAOS DE OBRAS BARATAS COM DEFE!TO
DE FABR!CAÇAO P/ AS MAOS DO SECULO XXI
NESSE CANTO ENCOSTO BLUES NAO CANTARE!
OS L!NDOS LAB!OSERE!AS DAS NOTAS M!D!AT!CAS
DE COMO ESSERTAO CONT!NUA SECOMO 1 !C!BERG
Y SE O MAR V!RARA SERTAO OH! BEATO CONSELHE!RO
TENHO MEDO Q 1 D!A SAMPA C!TY ACABE POR V!RAR 1 SER-TAO
!
!
!
-c.p.b.p.jr:
(Hellcity. 2015)

-MANUEL BANDEIRA
(Petrópolis, 1925)