terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ao pescador da torreira

o meu amigo rui repara as redes da solheira


ao pescador da torreira

far-te-ás no tempo
desfazendo o que de ti
fizeram
afirmar-te-ás negando
que todo o fim
é negação de início

seres tu é tarefa
em que não podes estar só
a companhia surgirá quando
de velhas companhias livre fores

és mestre do incerto
senhor do saber esperar
por isso te digo

não
não tens o que mereces
nem ninguém te oferecerá
o teu futuro

(torreira, porto de abrigo dos pescadores)

reparar redes da solheira

http://ahcravo.com/2015/12/22/o-meu-amigo-rui/