quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

regressarão


o desalento



postais da ria (127)


regressarão

come-se à mesa
o que da ria
horas porfiadas
marés redes

conta-se o tempo
o ganho parco
no fundo do balde

parte-se porque
é fraco o ganho
para tanto
para tão pouco

vão-se os homens
e são senhores do mar
escravos da ria
terra sua de ser água

até quando pergunto
e só o silêncio
onde vozes por vezes
jamais o gesto

regressarão

(torreira; solheira; 2010)

alar da solheira com o salvador chalana

http://ahcravo.com/2016/01/14/postais-da-ria-127/