terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Balada Beat - Palavras de amor & menta é o terceiro livro que leio em 2023.


 Balada Beat - Palavras de amor & menta é o terceiro livro que leio em 2023.

O livro do poeta Paulo Almeida editado pelo Sarau do Binho, com capa de Bruna Lima, projeto gráfico de Dangbala, o livro tem 57 páginas, e foi lançado em 2018.
Fui surpreendido com o livro Balada Beat - Palavras de amor & menta ano passado pelo Paulo Almeida no Sarau do Jabaquara, e eu nem sabia que ele havia lançado o seu livro de poesias.
Foi uma alegria e surpresa muito boa, não consegui ler ou falar a respeito antes, enfim chegou a hora de entrar na balada e entrar de cabeça na dança das palavras do poeta ,poeta esse, amigo, camarada de caminhada, de tantas caminhadas! Saraus, viagens, programas de rádio e projetos.
“Já na porta da balada de Paulo Almeida” através da leitura é possível ouvir a voz potente do poeta, potente e calma, com sua memória precisa e a presença inconfundível.
Quase
Quase fomos felizes,
mas a felicidade nada espera
de mentes mesquinhas.
Quase fomos mesmo egoístas
e os egoístas não dividem
os sonhos.
Quando nos encontrarmos,
se um dia nos encontrarmos de novo,
será puro acaso.
Não por acaso estarei vivo,
não por acaso estarei buscando
um meio de pôr fim
ao quase.
Paulo Almeida e seu livro, quem não viu, quem não leu,
Ainda está em tempo, não perca tempo, leia e conheça ouça essa voz.
Turbinamento indisponível
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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Em nossa coluna semanal da Tribuna Escrita, trazemos dessa vez os novos parceiros da EMNM - REVISTA O BULE

 

Olá, desbravadores!

Somos, hoje, uma das revistas que mais divulgam a literatura brasileira contemporânea e independente. Ela será o foco desta newsletter.

Milton Rezende, colunista da Revista O Bule, leu e resenhou Whisner Fraga, e o resultado é a resenha A propósito de o 'privilégio dos mortos'. O resenhista, aí, destaca características importantes sobre a obra de Whisner, como a poeticidade da narrativa e uma interlocutora virtual com quem o narrador dialoga.

Biqueira, de Rafael Vaz, desde a capa (uma pessoa em cujas mãos está uma latinha se prepara para dar o primeiro trago no livro), mostra a que veio: publicar poemas com policiais, moradores de rua, traficantes, jovens, rappers, sem tentar colorir ou pintar a realidade. Tudo é muito cinza e banhado de sangue.

"Parece que somos todas madrastas", crônica de Clara Braga, reflete sobre o peso que recai sobre o termo "madrasta" e, em consequência, as mulheres.

O incansável Krishnamurti Góes dos Anjos, o escritor mais resenhista do Brasil, em "Para que afinal se faça luz" aprofunda na obra de Alex Andrade. Compensa demais conhecer este autor (como todos os outros)!

Estamos com uma campanha beeem legal que queremos apresentar a vocês, a Literatura em Redes, que funciona em três frentes: 1) parcerias com sítios coletivos; 2) banco de dados para amantes da literatura; 3) Mutirão da Literatura Brasileira Contemporânea (uma rede de (auto)divulgação entre escritores). Para saber mais, clique AQUI.

Por enquanto é só!
E vamos que vamos.
Editores da Revista O Bule.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Mais duas trolhetadas desgraçadas

 

Ascensão das serpentes em 8 de janeiro de 2023


Uma clara demonstração de força, organização e planejamento, promovida por playboys brancos, religiosos radicais, pobres elitistas e fascistas declarados.


Tudo deu certo, com a devida conivência das forças policiais e muitos integrantes das forças armadas da ativa. 


A conclusão mais relevante que tivemos assistindo a este episódio foi:


Ter pele branca no Brasil, te isenta do rigor da lei. O tal rigor, muitas vezes aplicado em forma de tortura, espancamento e morte, que o estado prefere usar de forma impecável com negros, pobres, favelados, comunidade LGBTQI.., educadores, professores, trabalhadores sem terra, indígenas e outras minorias que incomodam a elite brasileira apenas por existir.


Isso de 300 presos? Estarão todos livres em pouco tempo, serão anistiados e não vai dá em nada. Agora, se fosse um jovem preto com um frasco de pinho sol, estaria sendo enterrado hoje. Se fosse um trabalhador saindo de madrugada para o serviço de guarda chuva em punho, seria abatido e talvez tivesse uma nota de pesar do governo, mentindo que iria apurar e punir os responsáveis.


Conclusão final para sair ileso de tudo no Brasil:


Seja branco, seja evangélico,  seja fã de milionários e, claro, seja massa de manobra para políticos. Não esqueça de bajular militares, tratando eles como super heróis.


...


Bala de borracha.

Spray de pimenta.

Surra de cacetete.

Agressão coletiva.


Que as armas por eles desejadas

Matem seus filhos e suas amadas.

Que a ditadura clamada

Oprima e devaste suas vidas e moradas.


Castrem as falácias. 

Atropelem o cinismo.

Silenciem o nazismo.

Esmaguem o fascismo.


Religião! Volte para as igrejas.

Soldados! Fiquem nos quarteis. 

Politicos! Trabalhem para seus eleitores.

Povo! Não eleja pastores ou coroneis.


Que não hajam!

Negros racistas

Que não existam!

Gay homofóbicos

Que não tenham fala!

Mulheres machistas

Que não nasçam 

Pobres elitistas.



*Alexandre Chakal é carioca, publicitário, jornalista independente, musicista, escritor, poeta, locutor freelancer, zineiro, editor do blog Metal Reunion Zine à 15 anos.  Um eterno inconformado com o cenário social e as péssimas gestões políticas do país mais rico da America Latina.



sábado, 7 de janeiro de 2023

A linda e tradicional Família.

 





Cães leprosos e

Cadelas dementes

Aquecem o ninho de serpentes.

Vestindo camisas da seleção 

com bandeiras, bíblias e armas na mão

Imploram ditadura e censura para toda nação.


Querem o caos em nome do seu único deus.

Desejam a morte de pretos, índios, gays e judeus.

Almejam pastagens no lugar de florestas.

Elegem mitos abutres que os desprezam, enganam e detestam.


São radicalmente contra maconha e afirmam ser vítimas, 

mas são viciados em antidepressivos, drogas elitistas 

e traficam cocaina.


Falam de amor à familia, 

mas matam as esposas, 

engravidam as filhas 

e abortam os netos indesejados em clínicas clandestinas.


São armamentistas em nome da segurança, 

mas se tornam assassinos, promovem feminicidios 

e  exaltam a matança, os torturadores 

e  veneram terroristas apenas por vingança.


Usam a liberdade para oprimir, ofender, difamar, agredir, matar. 

Sua essência é enganar e alegar demência.


Cretinos sem cultura, ignorantes, 

dementes com delírios elitistas.


Bradam que a macumba é coisa de preto viado e satanista.


Juram de morte e violência quem os confronta de forma pacífica.


Então falemos a língua que entendem

e coloquemos fogo em todos os fascistas, racistas e  canalhas intransigentes.


*Alexandre Chakal é carioca, publicitário, jornalista independente, musicista, escritor, poeta, locutor freelancer, zineiro, editor do blog Metal Reunion Zine à 15 anos.  Um eterno inconformado com o cenário social e as péssimas gestões políticas do país mais rico da America Latina.

*Colaboração: Fabio da Silva Barbosa - Jornalista, poeta, zine Reboco Caído, Editora Merda na Mão, dançarino, escritor e outras coisinhas mais... 

*Ilustração extraida do livro de Alexandre Chakal, "Seus Deuses não me excitam", com previsão de lançamento para inicio de 2023 via Editora Merda na Mão.

sábado, 31 de dezembro de 2022

Editora Merda na Mão, zine Reboco Caído e FSB&RC Prod/Distro - Em total sintonia

 2023 chegando aí e muitos projetos na cabeça. 

- FSB passando o chapéu -

Este ano que termina foi um dos que menos consegui lançar números novos do meu zine, o Reboco Caído, e também vários projetos ficaram engavetados devido a falta de grana para concretizá-los. Mas em 2023 pretendo retomar estes projetos, assim como voltar a lançar novos números do Reboco com maior frequência. Para isso preciso retornar aos costumes de passar o chapéu, o que garantiu nestes mais de dez anos a existência do Reboco Caído em seu formato impresso, assim como sua circulação gratuita. Há mais tempo que isso também esta prática vem ajudando a realizar os mais diversos projetos que não teriam vindo ao mundo sem o apoio de quem realmente valoriza e acredita nas iniciativas independentes que fomentam a cultura que circula pelo submundo. 

Além dos novos números e demais projetos, você estará colaborando para a renovação da caixa postal da FSB&RC Prod/Distro que precisa ser feita logo no início do ano. 

Sei que a situação está apertada para todo mundo, mas com qualquer valor você estará apoiando e fazendo parte dessa estrada. 

À partir de R$20,00 você recebe os tradicionais pacotões de material da FSB&RC PROD/DISTRO, com muitos zines, livros e demais materiais que tivermos disponíveis.  

Entre em contato através do e-mail fsb1975@yahoo.com.br e saiba mais sobre


*Fabio da Silva Barbosa - Um dos irresponsáveis pela Editora Merda na Mão, da FSB&RC PROD/DISTRO e zineditor do Reboco Caído




terça-feira, 27 de dezembro de 2022

CANTOS DE NIMBA - Sergio Anil [Full Album]


Cantos de Nimba é um projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc que tem como ideia central apresentar a poesia de grandes escritoras e poetisas negras brasileiras através de seus versos musicados pelo músico e compositor Sergio Anil. POEMAS: 00:00 1. ESPERE O INESPERADO (Cristiane Sobral) 04:37 2. SONHO (Beatriz Nascimento) 09:56 3. CRIAR ASAS (Miriam Alves) 13:35 4. NO ÁLBUM DE UMA AMIGA (Maria Firmina dos Reis) 18:25 5. OUROBOROS (Noi Soul) 24:35 6. OLHAR NEGRO (Esmeralda Ribeiro) 30:12 7. REDEMOINHOS (Elizandra Souza) 32:47 8. CABEÇA (Stella do Patrocínio) 44:08 9. CONTRADIÇÃO (Geni Guimarães) 48:55 10. CROMATISMO (Sergio Anil) ========================================================= FICHA TÉCNICA 1. ESPERE O INESPERADO Sergio Anil – voz, violão Camila Lucas – backing vocal Lorena Faria - backing vocal e kalimba Celio Doria - teclado 2. SONHO Sergio Anil – voz, guitarra, contrabaixo e saxofone Lorena Faria - backing vocal e teclado Camila Lucas – backing vocal Giovana Faria – backing vocal Erica Motta – guitarra Gudino Miranda - bateria 3. CRIAR ASAS Sergio Anil – voz, violão, prato, ralador, ukulele Lorena Faria - backing vocal Camila Lucas – backing vocal Giovana Faria – backing vocal Andre Machado - backing vocal Giovana Faria – contrabaixo Celio Doria – teclado Edgard Jinas – berimbau 4. NO ÁLBUM DE UMA AMIGA Sergio Anil – voz, guitarra, saxofone, scat Roger Faiasi – contrabaixo Nilo Rabello – órgão Gudino Miranda - bateria 5. OUROBOROS Camila Lucas – voz Sergio Anil – voz, teclado Daniel Nogueira – guitarra Lorena Faria - violino Neithan Silva - programação de sintetizadores 6. OLHAR NEGRO Sergio Anil - voz, cavaquinho, violão de 7 cordas, tamborim Andre Machado - voz Daniel Vacani – violão, contrabaixo Sergio Rosa – pandeiro, surdo, vocal Gudino Miranda - bateria Celio Doria - teclado Henrique Prado - vocal Camila Lucas - vocal Gina Effe - vocal 7. REDEMOINHOS Sergio Anil – voz Junior Mantovani – contrabaixo Nilo Rabello – marimba 8. CABEÇA Sergio Anil - voz, guitarra, saxofone Lorena Faria - backing vocal Camila Lucas – backing vocal Giovana Faria – backing vocal Leo Sousa - guitarra Rodrigo Simplício - teclado Daniel Vacani – contrabaixo Gudino Miranda - bateria 9. CONTRADIÇÃO Sergio Anil – voz, violão Celio Doria - teclado 10. CROMATISMO Lorena Faria – voz Sergio Anil – voz, violão, guitarra, programação Edgard Jinas – percussão Giovana Faria – contrabaixo Arranjos e composições: Sergio Anil Gravação: Gudino Miranda e Neytan Silva Mixagem e masterização: Gudino Miranda Produção Musical: Sergio Anil e Gudino Miranda Arte da capa: Denis Pinho Realização: Prefeitura de Diadema e Governo Federal (LAB) Este álbum é dedicado a Elza Soares, Marielle Franco, Natália Romualdo e a todas as mulheres pretas, guerreiras de natureza.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Porresias:

Por Fabio da Silva Barbosa

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Baba Grossa

 

É a época da proliferação das rãs

com seus barulhos engraçados

e dos insetos

com seu existir desgraçado

e do amor

e do sofrimento

e da angústia

e da melancolia

e do mal estar

e dos atropelamentos

e das metralhadoras

e das granadas

fumaça

bombas de gás

Muitos tormentos

Fermentos para sofrimentos

Feridas e dores

Amargor

Torpor

Fedor

Rancor

Bolor

Cerveja quente

sabor iogurte

de frutas saturadas

Bagaça fermentada

Como sopa enlatada

com gordura ensebada

Churrasco e rabada

enquanto a criatura esfomeada

mata a ratazana

esfaqueada

ensopada

empapada

devorada

Ossos crocantes estalando

sob a pressão da gengiva

Gengivite

Faringite

Laringite

Bronquite

 

                               Acredite


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Culpados

 

A lágrima que escorre pelo rosto marcado

banhando cada suco

Amargurado

pelas tormentas que infligem  as mais severas punições

por insistir em respirar

refletir pensar

questionar

e estar vivo em sua plenitude

Culpado por não aceitar

por não querer fazer parte

de uma tragédia

escrita com garranchos e sangue coalhado

Castigado por existir

persistir

insistir

em ser quem é

sem se submeter

ou virar apenas mais uma cópia

dessas que andam por aí

ou boneco

guiado pelas cordas

suspensas por mãos sinistras

já em estado de putrefação

ou objeto decorativo

estático e sem alma

esperando pelos insetos

para preencher um interior

recheado de inutilidades


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Docinhos de fel 

 

Quanto mais a vida passa

muito menos me agrada

Cercado por falcatruas mil

desde o dia em que nasci

aprendi a sobreviver

na selva oligofrênica

aprendi a odiar

Não gosto das pessoas em geral

Não vão me enganar

Aprendi a contestar

Aprendi a confrontar

Não vou me conformar

Não vou me encaixar

Querem me iludir

Querem me enquadrar

Mas não vou me acostumar

Não vou me acomodar

Eles mentem sem parar

Querem te adestrar

para torná-lo inofensivo

ou então acorrentar

Mas não vão me parar

nem o pensamento enjaular

Parem com esse papinho

que não vou acreditar

E você diz que me amarra

pra poder me proteger

E você diz que me castra

pra eu não enlouquecer

E me impõe suas verdades

E me empurra suas verdades

pela garganta abaixo

sem deixar minha voz

dizer o que penso

dizer o que acho

Aprendi a discordar

Aprendi a protestar

Até que me reste só a caveira

um crânio

uma ossada

irei resistir

Já não posso desistir

Impossível é continuar assim

Tudo chega ao fim

E essa estrada cheia de dor

desespero sem sabor

Já cortaram minha língua

e quebraram os meus ossos

Já furaram os meus olhos

e soldaram meus ouvidos

Mas ainda posso continuar

nem que seja a última coisa

nem que seja o último ato

Nunca me adaptarei ao sistema

prefiro ser mais um problema

que entrar no esquema

Ser uma afta incomodando

uma  tensão sempre a pairar

Não abra mão

da sua capacidade de pensar

sem abandonar a imaginação

Se não pode ser questionado

fique alerta e tome cuidado

pois é mais uma armação

para te esmagar

imobilizar

domar

incapacitar


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Transbordando/Enxofre

 

Tratados e leis arrancam seus olhos

Horários e compromissos castram sua vontade

Fuligem e fumaça sufocam seus pulmões

Modas e padrões os impedem de pensar

 

Colocam mais sabão

na máquina de lavar

para enxaguar seu cérebro

paralisando as partes

com perfume

e laços de fita

 

Não precisamos de sua mentira

ou da hipocrisia que for

 

Tentar nos esquartejar

já virou rotina

banal

neste safári grotesco

onde nossos corpos apodrecem

deixando nosso fedor pútrido

a marcar nossa posição

 

Suco de entranhas

Lábios rachados

Tripas secas

Buchos inchados

Fome e miséria

Doenças e catástrofes

 

É o ápice da humanidade

do sistema carniceiro

Canos entupidos

Tampas de bueiro

 

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 Tempos de nada absoluto

 

tenho passado pouco em casa

preferindo o frio dessa noite

com suas calçadas e poças

refletindo luzes e dores

fomes e misérias

feridas e temores

 

com suas valas e bueiros

transbordando o fedor

de tanto horror

e solidão

 

quanta podridão a nos cercar

a violência vai deixar

marcas

cicatrizes eternas

por toda parte

por todo lugar

 

mostrando as rugas

da pretensão

tanta injustiça e insatisfação

nessa farsa

nessa prisão

 

e as garras da hipocrisia

a hipnose da maioria

que vive só fingindo crer

e nada vai acontecer

mesmo que comece a chover

pro chão absorver

o que há muito tempo está no ar

nem mais sal tem o mar

então chegam armados pra evacuar

mais uma concentração

 

tenho de parar de beber

quem sabe comece a obedecer

e assim possa pertencer

ao álbum das boas recordações

e ser considerado

mais um pacato cidadão

 

mas quem disse que vou querer

fazer parte do pacote

das boas recordações

recheado de esperanças e ilusões

 

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 Sem ponteiros

 

Um céu escuro

cinza e completamente sem luz

nesse frio insuportável

que congela nosso peito

e mata nossa alma

sufoca nosso grito

e ninguém entende

algo de tudo que falamos

e ainda tentamos explicar

mas já não temos tempo a perder

com ouvidos surdos

ou mentes enlatadas

Tudo o que resta

é o nada

sem cheiro, sem gosto e sem sentido

sem perspectivas e sem futuro

Nada mais faz sentido

E quando é que fez?

Os parasitas chegam pra sugar

o que ainda resta

e os carniceiros já aguardam os meus restos

e nossa existência inexistente

não permite que esqueçamos

do vazio que nos preenche

Estamos tão áridos

que nosso solo já rachou

Nada mais nasce aqui

nessa terra devastada

E até os cegos podem ver

mas eles também duvidam

Afinal

acreditar

virou apenas mais uma forma de mentir

É apenas a lembrança

dessas plantas

que há muito

já morreram

e não adianta mais regar

e não adianta querer dançar

se as pernas já caíram

Como ovos podres

eles tentam

nos convencer

que só querem ajudar

mas a vida já passou

e a memória se esqueceu

o tempo se arrasta

e a hora nunca chega

 

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O descer

 

Estou aqui

Me derretendo em fezes

Já escorreram as entranhas

E coisas que me parecem estranhas

Se foi isso que comi

Está cheio de moscas e vermes

 

É como uma corrente elétrica

Que percorre meu corpo

Causando  convulsões e espasmos

Desligando meu cérebro

Parecendo o fim

Levando-me ao necrotério

 

Mas é apenas uma condição natural

Algo de nascença

Já me sinto fadigado

Minha cor esverdeada

Minha língua mordida

Minhas veias exaltadas

 

Os olhos ardem

E o gosto é amargo

Acho que isso é um pedaço do pâncreas

Acho que isso não é mais nada

Mas se isso não é meu fígado

Então é algum dente

 

O pulmão já é um saco preto

Murcho e sem vida

Parecendo uma uva passa mofada

Uma carcaça atropelada

Um monte de nada

Uma porra gozada

 

Sugado pelo buraco negro

Que consome a pouca energia que me resta

Jogam fora os meus restos

Dizendo que nada aqui presta

Que começará o funeral

Que comece a festa

 

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Uma sem título


Não aguento mais

sem dinheiro no bolso

amor no coração

ideias que me convençam

ou ao menos uma ilusão

 

Apenas aguardo que me perfume

a doce fragrância da putrefação