sexta-feira, 24 de agosto de 2012

FILOSOFANDO À TOA-15


(Sobre a filosofia na educação)

Por: Célio limA.

 

“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.” (Pitágoras).

 

Às vezes eu me dou o direito de perder o meu tempo ao assistir algum programa da televisão brasileira. Dia desses assisti ao “Na Moral” do Pedro Bial. Observei certos pontos interessantes por trazer propor questionamentos sobre temas de importância para o dialogo social, questões éticas, valores e a moral. Coisas que precisamos discutir democraticamente para afirmarmos ou martelar: derrubar/reconstruir socialmente falando tais questões entre tantas que precisamos politicamente debater e escolher coerentemente e de forma justificável. Porem o que vejo é que em tal programa peca nitidamente em seu formato: “fast food” onde o telespectador tende a digerir rápido o “produto” desconfortavelmente sem degusta-lo  como deveria. O programa se é curto, não chega a debater os temas com um melhor aprofundamento, alem de o enquadramento global ser burro/engraçado, o que destrói com programas como os do Jó Soares e o do Serginho Groisman. Esse esquema engraçadinho em que somos bombardeados por sorrisos falsos ou por uma felicidade ilusória. Digo que se ser feliz seja ser bombardeado burramente por tal felicidade que eu a chamo por pura desgraça em si, pois precisamos de muito mais, merecemos mais da indústria do entretenimento. Precisamos do drama que nos sensibilize didaticamente, precisamos da tragédia para buscar outros aprendizados, perspectivas ou aponte direções novas, precisamos da comedia que cuspa os tipos das nossas mazelas contemporâneas e até históricas que as ridicularize e não de um show real improdutivo, de uma revista fantástica sensacionalista ou de um balé de zorra total.

Falo sobre isso por me lembrar do ultimo “Altas Horas” que assisti. Cujo contara com a participação de uma atriz global (como de praxe tem que ter em quase “todos” programas de entretenimento/entrevista dessa emissora), a participação do diretor de cinema Fernando Meireles, o apresentado da casa Pedro Bial e o poeta marginal Ferréz a quem fora perguntado por um jovem da plateia algo sobre o papel da literatura na educação. Lembro que o escritor Ferréz respondera lucidamente qual era o papel da arte na educação escolar e do qual farei um a analise sobre o papel da filosofia ou sobre a volta da filosofia na grade curricular do nosso ensino brasileiro. A filosofia que fora retirada das nossas salas durante o governo dos militares etc. e que aos poucos vem retornando as salas de aulas e se perguntando ou fazendo nos perguntarmos por ela e pra que ela serve ou servirá e como servirá a filosofia há esse doente ensino nosso tão desqualificável.

Sinto que cabe a filosofia fazer o papel que as crianças sempre fizeram com naturalidade e que com o tempo vão se domestificando e tecnicamente vão se tornando homens/presas fáceis e acomodadamentes ao agirem como um rebanho senil. O papel do perguntar e do se questionar é o papel da filosofia que poderá oferecer outras perspectivas. Se a filosofia servirá para transformar as novas gerações em seres mais questionadores ou em seres melhores, não sei dizer. Dizem que quando se constrói uma escola, se é fechada uma penitenciaria, será verdade tal dizer? Os países do primeiro mundo como a Rússia e os Estados Unidos da America têm muitas e boas escolas? Grandes indiciem de criminalidades? A educação serve para criminosos se tornarem especialistas em sua atividade? São perguntas que feito uma criança eu vos deixo aqui.

Vejo que a filosofia poderá desenvolver algumas ações educativas no ensino. Cabe a ela servir para trazer mais reflexões. Sobre a ética, a moral, valores e estética. Pois a trabalhando de acordo com o pensamento platônico/aristotélico seremos guiados numa perspectiva de moderação, socialização, a busca por um caminho do meio, virtudes ou a edificação de uma melhor sociedade politizada e não doente de alienação e da idiotia como a nossa. Se trabalharmos a filosofia com o martelar filosófico do Nietzsche preparamos as gerações para um possível destruir e reconstruir modelo social que poderá ser um novo rumo melhor ou um diferenciado rumo do atual. E eu vos pergunto prezado leitor: existe um só trem da historia ou existem vários trem para embarcarmos?

Sou defensor da introdução da filosofia no ensino infantil aonde o mercado vem trabalhando com material para esse público ver o livro do ex-jogador Raí, outras obras que servem introdutoriamente é a obra “O Mundo de Sofia” (disponível em livro e a série televisiva em DVD), alguns dos livros dos filósofos educadores Mario Sergio Cortella e Paulo Ghiraldelli Junior. Que são bem vindos por suas abordagens lúcidas alem de uma fácil compreensão textual.  Vejo que o ensino de filosofia será produtivo ao povo brasileiro por servir para uma possível humanização ou descontaminação técnica do nosso ensino atual se o for trabalhado em uma perspectiva de desbanalização do próprio banal.

 


“Quando lavo o rosto pela manhã é como se tivesse tirado os pesadelos da noite mal dormida. Como um pão e empurro com o café pelo estômago abaixo com raiva. Ao pegar o prato do almoço, ligo a TV e não estou mais sozinho. Depois vem o computador e vejo o mundo inteiro. Ao desligar, a mesa e tudo em cima se torna inútil, ineficaz. Pego a folha branca com vontade de preenchê-la. Penso um pouco e sei que verdades e mentiras são questões de ponto de vista. As palavras não são dignas de serem colocadas uma após a outra. O café é amargo como o que penso da vida.  E mais uma vez não sei o que vivo e não sei o que penso.  A vida é externa, a guerra já começa em nós por dentro. A paz é uma palavra muito curta para fazer efeito. A sensação de ter asas não me agrada mais, quero rastejar. 
Nas coisas que comprei hoje não me apoio mais. Olho em volta e as sensações estão mortas, vivo é o meu querer. Toda vez que chegamos no topo olhamos para baixo. Não, não é por causa da vitória conquistada, somos o começo da caminhada. Quando deixo minha mente vazia, ela não se apoia em barreiras. Os livros bem pensados são prostitutas bem pagas pela vaidade. A diferença dos medíocres, é que eles sabem capitalizar no caos. Deus me acordou cedo hoje, e me disse para calar a boca. Como sempre no mundo, a teimosia gera o bom senso. Tantas praias, tantos por do sol, tanta alegria, e limitamos o que são tantos. A poesia poderia ser uma solução para a insanidade. Mas o egoísmo do homem deixa a alma em segundo plano. O estômago dói, e os dedos tocam as teclas rapidamente. 
Tudo para dar sentido numa coisa chamada vida. Entre os dentes e o resto, a boca toca a mão direita e não sente nada. Entre sons e uma leve chuva, a coisa mais sem sentido é olhar a verdade. Embora quisesse parar, agora sei que não se para o sangue. E os dedos continuam a se movimentar, não para o prazer, e sim parar de sofrer. Deixarei tudo aqui nesse papel. E o quebra cabeça estará perdido quando não registrar as respostas. Nada de mais, um retorno ao grande nada. Frases que nos acompanham por toda uma caminhada. E no final vou por um título nada criativo. E ao parar vou voltar a me iludir. Vivendo. (Ferréz)

 

“OBS: Célio limA.(ATIVISTA CULTURAL) É filosofo por natureza; anarquista por tesão e poeta por diversão. Membro fundador dos movimentos literanarkos: A Sociedade dos Filhos da Pátria; A Liga Espartakista-Sempre Mais!!!. Atua nos Blogs:http://salveopoetasalve.blogspot.com.br/http://sexopoemaserocknroll.blogspot.com/ http://poetasdemarte.blogspot.com/ http://tribunaescrita.blogspot.com