sábado, 16 de junho de 2018

vêm devagar






vêm devagar os amigos
chegam pela mão da memória
por vezes tarde demais
partem depressa os amigos
olho-os como se ainda 
mas é tarde muito tarde
sei que partiram alguns
cada dia mais
enquanto eu vou resistindo
enquanto passear pelos dias
levo-os pela mão
e deixo-os convosco à conversa
nada mais posso fazer
(murtosa; regata do bico; 2007)
o falecido manuel vieira (valas)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RAUL SEIXAS NÃO MORREU - COSTA SENNA e JOSUÉ CAMPOS

é tarde






enevoado tempo
o das memórias

acordo e recordo
não consigo
esquecer
o que me lembra
ao adormecer

sofro de memórias
de violentados dias
fracas palavras
pobres gestos

vem vazia a rede
vem vazia
vem

é tarde

(torreira; alar da solheira; 2010)

com salvador rilho (chalana)

https://ahcravo.com/2018/06/13/postais-da-ria-258/

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Direitos Autorais - Porta dos Cafundós

mergulho no tempo






tudo o que sou
fui para ser

gostar do que sou hoje
é aceitar o que fui
no tempo que me coube

há bois na praia
gestos e fazeres recriados
memória viva

olhar o ontem
é ver mais além
é ser de novo

mergulho no tempo
refresco-me de mim

(torreira; recriação da xávega;2013

https://ahcravo.com/2018/06/11/cronicas-da-xavega-259/

Lua




                                   

Hoje me ouve...só a mim,
que desafiando a noite vim jurar meu amor.
Encontro-me só, apaixonado, entregue...
Busco em ti minha inspiração,
Peço-te segredo
Em homenagem a ti vou compor poesias de amor sem fim...

Deixa teus raios me iluminarem,
aperfeiçoa meu cantar,
envolve-me em teu mistério, lua cheia, majestosa...
Sou poeta, seu escravo, seu amante
Escuta minha alma,
Através de ti aprendi a amar!

E ainda que tu não apareças nesta noite escura,
hás de brilhar no meu coração
Pela eternidade!

domingo, 10 de junho de 2018

fazer o futuro






presa nas malhas
do corpo
esta coisa pensar

recolher-me na
incerteza dos dias

reviver os que foram
no que é
no que me deixaram
para que deixe

viver hoje
é preservar o ontem
fazer o futuro

(regata da ria; 2010)

dia 30 de junho há regata

https://ahcravo.com/2018/06/10/os-moliceiros-tem-vela-313/

o "Doroteia Verónica" ainda velejava

sábado, 9 de junho de 2018

faz-te ao mar







faz-te ao mar tóino
não há pão em casa tóino

faz-te ao mar tóino
talvez dê carapau tóino

faz-te ao mar tóino
talvez dê sardinha tóino

faz-te ao mar tóino
não tens outra vida

faz-te ao mar
faz-te

(costa de lavos; 2017)

https://ahcravo.com/2018/06/09/cronicas-da-xavega-258/

sexta-feira, 8 de junho de 2018

impossível





impossível safar a vida
como quem redes safa

as mágoas que nas malhas
dos dias presas ficaram
não há mãos que as tirem
gestos que as sacudam
arredem para longe

límpidos ficassem os dias
de o terem sido sempre

estar vivo por vezes dói
safassem-se e outro seria
o que nestas palavras
preso ficará sem remédio

impossível safar a vida
como quem redes safa

(torreira; safar redes; 2013 )

https://ahcravo.com/2018/06/08/postais-da-ria-257/

quinta-feira, 7 de junho de 2018

sobram palavras



tirar sal

hoje
guardo as palavras
para outro dia

chove em junho
o sol tarda
com ele o sal

não sei
quando o verei tirar

mau vai o ano
para quem dele vive

sobram palavras
onde o sal falta

(morraceira; tirar; 2016)

https://ahcravo.com/2018/06/07/a-beleza-do-sal-51/

quarta-feira, 6 de junho de 2018

plantem-me no mar




duvido de tudo
estou vivo
para questionar

alinhados em canteiros
com flores de plástico
visitas em data certa
jazem os que aceitam

mesmo depois de
continuarei a duvidar
recuso o canteiro

plantem-me no mar

(torreira; 2013)

o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto)

https://ahcravo.com/2018/06/06/cronicas-da-xavega-257/

terça-feira, 5 de junho de 2018

Ignóbil (HQ) - Por Dáblio C

memória de um dia




falarão dos barcos
dirão moliceiros

ninguém falará de ti
sequer saberão o teu nome

pouco te importa
hoje tens tempo de antena
roubado que seja
mas tens e sorris e falas
não sabes de amanhã
ignoras o ontem

os moliceiros digo
são aves frágeis sem asas

e tu sabes
porque lhes cortaste
as últimas

(regata da ria ; 2010)

https://ahcravo.com/2018/06/05/os-moliceiros-tem-vela-312/