domingo, 20 de janeiro de 2019

volto já



falo-te de um tempo
onde os dias se enroscam
preguiçosos e friorentos
sequiosos de sol

vai longe o verão
vão longe todos os verões

abraço-me e aqueço-me
sou a lágrima sustida nas cordas
dos cílios teimosos

amanhã quando acordar
ainda estarei constipado
nada que adoce a amargura

vou ver se roubo umas frases
bonitas e com elas fazer de conta
que sou o que gostava de ser

volto já

(torreira; o arribar do reçoeiro; 2016)

https://ahcravo.com/2019/01/20/maos-de-mar-58/

sábado, 19 de janeiro de 2019

como o mário




caminhos sonhos
homens mulheres
desencantos

o cansaço chegou às raízes

um assento de pedra
sólido mesmo se frio
onde poisar-me

o cansaço chegou às raízes

por entre as malhas da rede
escoam-se palavras
e silêncios

quero dormir como o mário

(torreira; arrumar das rede; fim da época dos chocos; 2018)

https://ahcravo.com/2019/01/19/postais-da-ria-285/

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

moliceiro




ergue-se o homem
à altura da palavra
e é barco

ergue-se a palavra
à altura do homem
moliceiro

verticais todos

(torreira; regata s. paio; 2016)

o ti abílio carteirista no seu melhor

https://ahcravo.com/2019/01/15/os-moliceiros-tem-vela-340/

Liberdade e Prisão


                            

Amor! Fechei meus olhos e me entreguei
Minha boca procurava a tua...
E dos meus olhos cerrados desceram lágrimas que não enxuguei
E da minha boca nasceram juras
E palavras mudas que te dediquei...

O amor é liberdade
O amor é prisão
È entrega e paixão
É uma jura eterna
Proclamada em um momento único.

Amada através de ti minha poesia cantou
Nosso desejo, nossa loucura
Na voz de um bardo apaixonado.

Na noite, nosso amar cristalizou
Em pétalas vermelhas
Em sons do coração.

O amor é quando nossas vidas são uma, unidas pelo destino.
Enlouquecendo a noite
Vivendo pelo eterno prazer de te ver
Vivendo pelo teu sorriso.
Amo-te querida!






segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

escrevi-me



recuso-me a ser água
onde barcos a navegar
barco serei eu

sou as minhas palavras
sinto-me nelas são-me

recuso-me a ser vaso
onde flores plantadas
flor serei eu

dentro da garrafa de belo rótulo
o vinho azedou
enganado foi quem o comprou

recuso o carnaval
só em veneza
belas as máscaras

sou e assino
escrevi-me

(torreira; 2013)

o falecido ti zé costeira regressava de mais uma pescaria, a remar à ré como numa #caçadeira

https://ahcravo.com/2019/01/14/postais-da-ria-284/

Mestiça





Ela
A fruta doce
E inesperada
No caminho

A surpresa
A presa
O encanto
E paixão

Ela céu
E chão
Samba
E prédio
Camarão com catupiry


- Para Aline

domingo, 13 de janeiro de 2019

de mim



escrevo o nome
na areia

da onda
a espuma basta
para o apagar
tão frágil

falará de mim
o infinito
de haver mar

se falar

(torreira; 2012)

https://ahcravo.com/2019/01/13/cronicas-da-xavega-286/