quarta-feira, 19 de setembro de 2012

FILOSOFANDO À TOA-16 (Sobre Raul o inicio, o fim, e o meio) Por: Célio limA.



“Nunca é tarde demais pra começar tudo de novo...”. (Raul Seixas).


Logo assim que fora lançado nos cinemas eu fui com muito entusiasmo assistir ao documentário “Raul O INICIO, O FIM E O MEIO”. Devido aos atrasos e as mudanças de datas fui com mais cede ao poço para degusta-lo. Vejo que confesso angustiado que fiquei um pouco decepcionado. Primeiro por tanto material o Raul ter para oferecer e que infelizmente não fora bem utilizado. O doc. Começa até com o ponto forte de mostrar a influencia musical que o Raul sempre se referira do baião de Luiz Gonzaga ao rock and roll de Elvis Presley. Se o doc. tivesse continuado nessa linha teria trilhado por um melhor caminho em termo de qualidade e não de “sensacionalismo” como o defini dias desses. Faltou ir fundo nas influencias, filosóficas, anarquistas, esotéricas das quais o Raul absorveu e as mexeu no seu caldeirão expressivo.
Digo isto por considerar o Raul um tropicalista fora da própria tropicália. E já que falei em tropicalismo o excesso constante da presença do Caetano Veloso no doc. fora no mínimo banalizante para não usar um termo “depreciativo” para o mesmo. O Caetano falar pelos cotovelos durante o vídeo, errar a letra de: “Ouro de Tolo”, já não basta ele ter desgraçado “Maluco Beleza” no tributo “O Baú do Raul”(2004), além da própria “Ouro de Tolo” na coletânea/tributo “RAUL SEIXAS: O INICIO, O FIM E O MEIO”(1991). E ter na ultima fala do filme novamente Caetano, isso ninguém merece aturar. Creio que o Sr. Walter Carvalho tem uma grande tara ou obsessão pelo Veloso. Um outro ponto fraco fora o esquema melodramático de novela mexicana utilizado na coletagem dos depoimentos das senhoras viúvas. Digo isso porque já fora utilizado esse formato no especial “Por toda a minha vida” da Rede Globo. Outro ponto negativo fora o de recolocar a ex-secretária Dalva para chorar no apartamento em que o Raul falecera. Vejo que esses pontos foram negativos e não bem trabalhados. 
Sobre o relacionamento sexo, drogas e rock ‘n’ roll entre outros excessos na vida do documentado faltou utilizar o depoimento do ultimo parceiro musical: Marcelo Nova como contraponto no programa: “RADIO FX “especial Raul seixas” (disponível no YouTube) em que o Marcelo relata a sua experiência de composição com o Raul, em que em um encontro com o Raul ele deixara o Raul em casa quase morto de tão embriagado, e que ao se encontrar com ele no outro dia, o Marcelo se surpreende com uma composição composta naquele estado alcoolizado. Pontos positivos: creio que foram os depoimentos dos parceiros, principalmente o do Claudio Roberto, pois fora produtivo ao mostrar o processo de composição entre eles. Para mim a parte de mais importância fora o registro do Raul no estúdio, principalmente a parte que mostra toda a sua ludicidade perante o seu oficio, durante o processo de trabalho da faixa de “Eu também vou reclamar” incluída no álbum “Há 10 Mil Anos Atrás” de 1976.
 Assisti ao programa “Roda Viva” da TV Cultura com o diretor Walter carvalho para melhor compreender o seu estilo e a sua falta de entendimento ou uma fraca noção/interpretação sobre a obra do próprio Raul seixas. Apesar da consultoria do Sylvio Passos entre outros que auxiliaram no projeto.Vejo porem que este doc. tem a importância de levar as pessoas para sala de cinema, para a apreciação de um documentário nacional, e que nesse quesito ele tivera um bom êxito. Sua bilheteria, prêmios etc... Confirma isso, outra coisa importante é o de ser uma porta para que outros venham a trabalhar a história deixada por Raul, suas influencias, fontes, entre tantas estórias interessantes ainda para serem exploradas e levadas ao conhecimento de mais pessoas. Outro ponto a ser ressaltado é a memória. Pois passando mais de duas décadas de sua partida, constatamos  que  ele deixou algo de importante no imaginário cultural do país. E que como as novas gerações estão carentes de ídolos. Encerro com uma provocação meu prezado leitor: hoje em dia o que é que temos como parâmetro ou referencial nessa “festa de fim de mundo” chamada no passado de terra de santa cruz hoje chamada apenas por Brasil?
“Antes de ler o livro que o guru lhe deu. Você tem que escrever o seu”.(Raul Seixas)


“OBS: Célio limA.(ATIVISTA CULTURAL) É filosofo por natureza; anarquista por tesão e poeta por diversão. Membro fundador dos movimentos literanarkos: A Sociedade dos Filhos da Pátria; A Liga Espartakista-Sempre Mais!!!. Atua nos Blogs:http://salveopoetasalve.blogspot.com.br/http://sexopoemaserocknroll.blogspot.com/ http://poetasdemarte.blogspot.com/ http://tribunaescrita.blogspot.com