sábado, 3 de dezembro de 2016

Odette Tavares Bellinghausen


BIOGRAFIA: Odette Tavares Bellinghausen

Nasceu em Santos no dia 30 de julho de 1915, quando o mundo se debatia na primeira Grande Guerra Mundial. Sua mãe, Firmina D`Assumpção Horta Viegas, era do Algarve, o "Jardim D`Europa à beira-mar plantado", um clima quase tropical, de lindas praias e campos de amendoeiras em flor, terra farta de frutas e flores, mar pródigo em peixes e mariscos, no extremo Sul de Portugal. Seu pai, João Domingues Tavares, era do Norte de Portugal, das Beiras, onde nevava fortemente e a vida era árdua e difícil como o clima.

Seu avô paterno era famoso professor da região e sua avó era dada à música e à poesia, "poetando e improvisando facilmente".

Seus pais eram alegres, inteligentes, trabalhadores e muito sentimentais, viviam promovendo ou participando de festas culturais, artísticas e beneficentes.

Odette teve uma infância feliz, com muito carinho e amor, apesar de ser filha única, mas vivendo em um ambiente propício a desenvolver suas tendências artísticas.

Em 1930, seu pai teve sérios desastres financeiros com a mudança de governo durante a Revolução. Ele perdeu tudo, ficando apenas com a Vila Tavares, em São Bernardo do Campo, hipotecada que depois também foi perdida.

Assim, mudaram-se para São Bernardo do Campo, tentar nova vida e novos negócios.

Em 1931, mudaram-se e Odette não pôde completar o ginásio, pois na cidade havia apenas um grupo escolar localizado onde hoje está a Praça Lauro Gomes.

A família residiu em São Bernardo do Campo até 1934, em seguida mudando-se para Santo André onde Odette permaneceu até o seu casamento com o industrial sambernardense Alberto Eduardo Bellinghausen.

Alberto foi um grande e ótimo companheiro. Tiveram cinco filhos: Ronald, Divanir, Amarylis, Suzana e Rosa Maria.

Desde que retornou a São Bernardo do Campo, participou de movimentos artístico-culturais, dando início a muitos deles e colaborando em quase todos, inclusive de cunho oficial e de assistência social.

O fato de não poder ter concluído o curso ginasial a desgostava muito e quase causando-lhe vergonha de dizer, mas após o contato com o livro Gato preto em campo de neve de Érico Veríssimo, no qual o escritor conta que parou de estudar no segundo ano ginasial, por impossibilidade financeira, considerando-se então um autodidata, Odette convenceu-se de que não são os diplomas que nos dão valor e sim o que lemos, nossa inteligência e a nossa vontade de aprender bem como um ambiente que favoreça nossos conhecimentos. Leitora ávida, desde a infância, sempre leu tudo o que pôde, mas sempre com critério.

Quando adolescente, teve estudos de línguas. Falava regularmente o francês assim como o inglês e o alemão, conhecimentos que lhe foram de grande valia quando viajou para a Europa, em 1980, quando percorreu doze países.

Acompanhou os estudos de suas filhas, desde o ginasial até a especialização, fato de grande valor que contribuiu para intitular-se autodidata.

Sempre gostou de "fazer um pouco de tudo" - plantar, semear, tratar de animais.

A convivência com seus filhos, nora, genro e netos foi a fonte principal de seu prazer até a sua morte em 14 de outubro de 1985, aos oitenta anos de idade. 

Fonte: https://leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-bernardo-do-campo/lei-ordinaria/2008/593/5936/lei-ordinaria-n-5936-2008-denomina-odette-tavares-bellinghausen-o-museu-de-arte-de-sao-bernardo-do-campo-e-da-outras-providencias-2008-12-17.html, publicado em 20 de fevereiro de 2009, acessado em 3 de dezembro de 2016.