segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

as mãos

aproxima-se o saco, os bordões apertam as mangas, os homens esperam o pão



crónicas da xávega (38)


as mãos


regresso sempre às mãos
às mãos e ao peso
que sobre elas
tudo

ao pão suado salgado
sofrido esmifrado

aos braços ferramenta
aos escravos da fome
dos filhos do hoje
do manhã do nunca
do sonho
do desespero
da esperança

regresso sempre às mãos
nem sempre
vazias

(torreira; companha do marco; 2012)

https://ahcravo.wordpress.com/2014/12/29/cronicas-da-xavega-38/