sexta-feira, 24 de março de 2017

até um dia

o arribar da mão de barca

tudo fica agora longe
próximas
as imagens as memórias
o sentir ainda

descrevo o que vejo
ou sinto quando olho
e escrevo porque

as palavras
crescem da imagem
como da terra a árvore

e eu
eu sou ainda
o que não vai haver

parado num tempo
em que fui demais
para não voltar a ser

espero-vos
onde a espuma
adormece na areia
e há sempre esperança
de haver mar

até um dia

(torreira; 2011)

https://ahcravo.com/2017/03/24/cronicas-da-xavega-195/