segunda-feira, 13 de novembro de 2017

De ponta-cabeça

De ponta-cabeça, na vala comum
Entrando na fila, como muitos alguns

Passo a passo, compasso de espera
No tempo e no espaço, desfaço e refaço meus planos, cotidiano

Urge, ressurge, procuro refúgio, subterfúgios
Mergulho no escuro, criam-se bolhas, borbulhas, espocam fazem barulho

Cria, criatura, caricatura descaracterizada
Rabiscos, riscos rabiscados, sentidos arranhados

Sou eu nesse emaranhado
Estou enclausurado, segregado, segredos não revelados
Dentro do meu
casulo, bicho preso no escuro

Sou enigma, enigmático dentro do meu período sabático
Nada prático, praticamente apático

De ponta-cabeça, de cabeça para baixo
O mundo que gira, tô solto no espaço
Vivo procurando minhas peças, pra ver se encaixo

Rodando igual pião, girando sem direção
Quebrando a cabeça, procurando a minha solução, minha luz
Fugindo da síndrome do avestruz

Da hipérbole do meu ceticismo ao eufemismo fantasiado de ilusões, dentro de um túnel, tendo uma visão

Jonas Luiz
São Paulo, 13/11/17