domingo, 27 de setembro de 2020

Prefácio de Luiz Lima para o livro Uma Poesia Para Raul


Foto: Luiz Lima  e  Manoel Hélio em uma das passeatas do Raul.


“Com um salário tão mínimo e um amor tão imenso”, conforme os seus versos, Manoel Hélio transborda-se em seus escritos em um misto de viagens e desilusões, tendo Raul Seixas como referência.
Viajando em seus poemas, nota-se que as mensagens das canções de Raul são um fio condutor de luz a encher de esperanças o coração do poeta, cujo lirismo encontra-se inquieto em meio a um mar de angústias que é representado tanto pelo caos do nosso país, imerso em um obscurantismo social e político, como pelas dúvidas de uma existência onde o mínimo da vida experienciada não comporta o máximo da vida desejada. Desta forma, na distância do olhar poético, a “cor de mel” convive com a “cor de fel”.
Contradições? Sim. A arte poética de Manoel Hélio oscila entre ondas sucessivas de contradições porque a própria vida é ilógica. O sentido nos escapa das mãos. O que une os nossos cacos são os nossos sonhos etílicos. É a “navalha absurda” dos versos de Manoel Hélio que faz com que o poeta renasça das cinzas, como a Fênix que busca a ressurreição em meio ao caos.

Luiz Lima é escritor, poeta, e autor da tese de doutorado Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no Panorama da Contracultura Jovem, aprovada pelo Departamento de História Social da USP em 2006. A sua tese foi transformada em obra literária no ano seguinte. Luiz Lima possui outro livro, ainda não publicado.


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