segunda-feira, 28 de março de 2016

até um dia


o amarrar da manga


crónicas da xávega (146)


até um dia

não têm rosto
a voz deram-na a outros
para que por eles

são o silêncio
o murmúrio
a resignação

falam com eles
quando lhes querem
pedir a voz
não lhes dizem que
roubada será

esquecem-nos depois
falam deles
não por eles muito menos
para eles

têm no rosto escrita
a vida

até um dia
serão apenas
o país profundo

até um dia

(torreira; companha do marco; 2013)

o ti augusto amarra a manga logo a seguir ao calão, para que passe no alador

http://ahcravo.com/2016/03/28/cronicas-da-xavega-146/