quinta-feira, 28 de julho de 2016

nunca mais


o nevoeiro esconde o futuro


postais da ria (181)


nunca mais

à beira ria juntam-se
os que regressaram
contam os dias idos

o tempo em que partir
já era urgente
não por ser parca a safra
mas sem futuro
o que a vida prometia

do que havia então
pouco resta
nem moliço nem peixe
sequer a ria

olha-se tudo com tristeza
regressou-se à ausência
vive-se com a memória

sente-se que o fim de tudo
não tarda e repetem

não há futuro aqui
nunca mais

(torreira)

rapa-se os cabeços em busca de algum berbigão ou ameijoa

https://ahcravo.com/2016/07/28/postais-da-ria-181/